Sete países amazônicos acertam uma agenda contra a crise ambiental | Land Portal
Os signatários combinam a criação de uma rede de cooperação contra os desastres naturais. Bolsonaro manda mensagem por vídeo defendendo soberania do continente sobre a Amazônia e reclama de excesso de terras indígenas
 
Sete países da bacia do Amazonas acertaram na sexta-feira uma agenda para melhorar a coordenação regional e prevenir as crises ambientais como a que nas últimas semanas reduziu a cinzas milhares de hectares de selva, principalmente no Brasil e na Bolívia. Em meio à emergência dos incêndios florestais se encontraram às portas da região, na cidade colombiana de Leticia, presidentes e representantes do Peru, Equador, Bolívia, Brasil, Suriname, Guiana e do país anfitrião.
 
O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, muito criticado pela gestão da emergência, não viajou a Leticia porque terá de se submeter a uma cirurgia neste domingo para a retirada de uma hérnia, e participou por videoconferência. Fez um discurso que reivindica a soberania da região amazônica, entre críticas ao presidente francês, Emmanuel Macron, e afirmando que “a crise está sendo utilizada como propaganda contra o Brasil”.
 
Com a falta de objetividade sobre as medidas adotadas e das evidentes discrepâncias ideológicas, principalmente entre Morales e Bolsonaro, os participantes afirmaram que é oportuno um entendimento a longo prazo. Esse é o primeiro passo, batizado como Pacto pela Amazônia, e procura se transformar em uma direção à salvaguarda de uma região que abarca mais de 25% da superfície do continente americano.
 
Todos assinaram um acordo de 16 medidas, ainda difusas, que substancialmente procura “fortalecer a ação coordenada para a valorização das florestas e da biodiversidade, assim como para lutar contra o desmatamento e degradação florestal”. Para isso, os participantes acertaram “estabelecer mecanismos de cooperação regional e de intercâmbio de informação que permitam combater as atividades ilegais que atentam contra a conservação da Amazônia”. O texto contempla criar uma “Rede Amazônica de Cooperação contra desastres naturais [...] para coordenar e articular os sistemas nacionais de emergências de impacto regional, como incêndios florestais de grande escala”. Também pede o aumento “da participação dos povos indígenas e tribais e das comunidades locais no desenvolvimento sustentável”.
 
Apesar das notáveis diferenças políticas entre esses Governos, a minicúpula teve um consenso unânime. “Sempre somos capazes de entrar em acordo nos assuntos de maior importância”, disse Iván Duque, presidente da Colômbia. O objetivo do encontro era ir além dos tratados bilaterais existentes. Assim, em questão de dias começou uma negociação a toque de caixa entre os países da região. Além de Duque, participaram o mandatário equatoriano, Lenín Moreno; o peruano, Martín Vizcarra; o boliviano, Evo Morales; o vice-presidente do Suriname, Michael Ashwin Adhin: e o ministro dos Recursos Naturais da Guiana, que chegou no último momento. Todos concordaram com a necessidade de se estabelecer uma agenda comum e de sincronizar as propostas.
 
O anfitrião incidiu na importância dos recursos financeiros e anunciou que solicitará uma colaboração do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Vizcarra afirmou que a proteção da Amazônia precisa de uma mudança de estratégia. “Não podemos somente ficar em declarações de boa vontade. Temos que ir muito mais além”, afirmou. Morales criticou a exploração maciça dos recursos naturais e exigiu a incorporação da Venezuela ao pacto, apesar do Governo de Nicolás Maduro precisar lidar com uma emergência social e econômica sem precedentes e ter rompido relações com a maioria da comunidade internacional.
 
“Excesso” de terras indígenas na Amazônia
 
Jair Bolsonaro aproveitou a participação a distância na cúpula para reforçar seu discurso sobre o “excesso” de demarcações de terras indígenas, segundo ele. O brasileiro nunca escondeu sua intenção de favorecer a exploração de minério em áreas de reservas brasileiras, hoje garantidas pela Constituição. Mas, relacionou o conceito de soberania à necessidade de controle do território. "Sim, pensamos no índio, pensamos no meio ambiente, no mosquitinho, pensamos na cobra, no peixe, em tudo isso, mas o que outras pessoas do mundo querem,  na verdade, é se apoderar dessas riquezas, desses recursos e minerais que não existem mais em abundância ou com tanta sobra em outros países”, afirmou. Ele destacou a necessidade de união do grupo de países amazônicos “sem nenhum momento ceder a qualquer tentação externa de deixar sob adminsitração de terceiro a nossa área”, completou.
 
Apesar do discurso, Bolsonaro é acusado de incentivar ações que reduzam a proteção ao meio ambiente. No início de agosto, foi promovido o chamado Dia do Fogo, em Altamira e Nova Progresso, no Pará, onde produtores se sentiram encorajados pelas palavras do presidente a promover grandes queimadas que ganharam repercussão internacional. (com informações da Agência Brasil)
 

Partagez cette page

Copyright © Source (mentionné ci-dessus). Tous droits réservés. Le Land Portal distribue des contenus sans la permission du propriétaire du copyright sur la base de la doctrine "usage loyal" du droit d'auteur, ce qui signifie que nous affichons des articles de presse pour des fins d'information non commerciales. Si vous êtes le propriétaire de l'article ou d'un rapport et que vous souhaitez qu'il soit retiré, s'il vous plaît nous contacter à hello@landportal.info et nous le supprimerons immédiatement.

Divers articles de presse liés à la gouvernance foncière sont publiés sur le Land Portal chaque jour par ses utilisateurs, à partir de diverses sources, telles que les agences de presse et d'autres institutions et individus, ce qui représente une diversité de positions sur tous les sujets. Le droit est à la source de l'article; la Land Portal Foundation n'a pas le droit de modifier ou de corriger l'article, ni d'endosser son contenu. Pour apporter des corrections ou demander la permission de republier ou toute autre utilisation de ce contenu, merci de contacter le titulaire du droit d'auteur.