Acesso a alimentos gravemente desigual em todo o mundo | Land Portal
Novo relatório compara custo de uma refeição básica em vários países do mundo; no Sudão do Sul, país com a situação mais grave, um prato custa 186% do rendimento diário; se um morador de Nova Iorque tivesse que pagar a mesma proporção de seu salário por uma refeição, gastaria US$ 393. 
 
Uma refeição básica está muito além do alcance de milhões de pessoas em 2020, de acordo com um novo estudo divulgado pelo Programa Mundial de Alimentos, PMA. 
 
Segundo a pesquisa, a pandemia de Covid-19 agrava a situação causada por conflitos, mudanças climáticas e problemas econômicos. 
 
Foto ONU/Eskinder Debebe
Distribuição de comida na vila de Nacate, perto de Macomia, em Cabo Delgado, Foto ONU/Eskinder Debebe
 
Refeição 
 
O relatório Custos de um Prato de Alimentos 2020 destaca os países onde uma refeição simples, como arroz com feijão, custa mais, quando comparada com o rendimento das pessoas. 
 
O Sudão do Sul está mais uma vez no topo da lista, com ingredientes básicos custando 186% da renda diária de uma pessoa. Dezessete dos 20 principais países nessa situação estão na África Subsaariana. 
 
Em comunicado, o diretor executivo do PMA, David Beasley, disse que “são as pessoas mais vulneráveis ​​que sentem os piores efeitos.” 
 
Segundo ele, as vidas “dessas pessoas já estavam no limite antes da pandemia de coronavírus, e agora sua situação é muito pior, com a pandemia ameaçando uma catástrofe humanitária.” 
 
Moçambique 
 
Dentre os 36 países analisados, está Moçambique, onde uma refeição custa cerca de 21.89% da renda diária.  
 
 
A pesquisa afirma que “após duas décadas de paz e estabilidade, a insegurança na província de Cabo Delgado ameaça o progresso socioeconômico.” Além disso, Moçambique continua a ser um dos países mais propensos a desastres do mundo, com secas e pragas afetando as culturas básicas em grande parte do país. 
 
Os moçambicanos ainda não conseguem pagar o custo de uma dieta nutritiva e a desnutrição crónica afeta quase metade das crianças com menos de cinco anos. A pesquisa afirma que “a Covid-19 vem agravando o frágil contexto humanitário, com quase 4 milhões de pessoas necessitando de assistência.” 
 
Nesse momento, o apoio do PMA inclui transferências de dinheiro e rações para levar para casa para crianças afetadas pelo fechamento de escolas. 
 
Foto: Unicef/Roger LeMoyne
Número de haitianos em situação de insegurança alimentar severa passou de 700 mil para 1,6 milhão., by Foto: Unicef/Roger LeMoyne
 
Causas 
 
O relatório destaca o conflito como um fator central para a fome em muitos países, pois obrigou as pessoas a fugir de suas casas, terras e empregos. A situação baixou drasticamente o rendimento e a disponibilidade de alimentos a preços acessíveis. 
 
A ligação entre segurança alimentar e paz foi destaca na semana passada, quando o PMA recebeu o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho no combate à fome. 
 
No país com o prato de comida mais caro, o Sudão do Sul, a violência já deslocou mais de 60 mil pessoas e está prejudicando colheitas e meios de subsistência.   
 
Com o início da pandemia, a renda diária gasta com comida na mais nova nação do mundo aumentou 27%, para 186%. Se um morador de Nova Iorque tivesse que pagar a mesma proporção de seu salário por uma refeição, gastaria US$ 393. 
 
Burkina Fasso faz parte da lista pela primeira vez, com o número de pessoas que enfrentam níveis de crise de fome triplicando para 3,4 milhões de pessoas. No Burundi, a instabilidade política, o declínio nas remessas e as interrupções no comércio e no emprego deixaram as pessoas do país expostas à insegurança alimentar. 
 
O Haiti também figura entre os 20 primeiros, com consumidores gastando mais de um terço de sua renda diária em um prato de comida, o equivalente a US$ 74 para alguém no estado de Nova Iorque. As importações representam mais da metade dos alimentos e 83% do arroz consumido no Haiti, tornando o país vulnerável à inflação e à volatilidade dos preços nos mercados internacionais. 
 
Crise 
 
O PMA estima que as vidas e meios de subsistência de até 270 milhões de pessoas estarão sob grave ameaça em 2020, a menos que medidas imediatas sejam tomadas para combater a pandemia. 
 
David Beasley também destacou a situação de pessoas que vivem em áreas urbanas. A Covid-19 levou a enormes aumentos no desemprego. Para milhões de pessoas, perder um dia de trabalho significa perder um dia de comida, para elas e seus filhos. 
 
O chefe do PMA avisa que a situação “pode causar crescentes tensões sociais e instabilidade.” 

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