Unicef pede urgência em investigação sobre morte de meninos Yanomami 'sugados' por draga de garimpo | Land Portal

Draga de garimpo no rio Parima, na Terra Yanomami — Foto: Divulgação/Condisi-YY

 
Dois meninos Yanomami, de 4 e 5 anos, morreram afogados após desaparecerem no rio Parima no último dia 12. Lideranças indígenas afirmam que as crianças foram "sugadas" por uma draga de garimpo próximo da comunidade Makuxi Yano, em Alto Alegre.
 
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) emitiu nessa quinta-feira (21) uma nota com pedido de urgência nas investigações sobre a morte de duas crianças Yanomami, que segundo lideranças indígenas, foram "sugadas" por uma draga de garimpo.
 
"Este é mais um registro na série de episódios violentos e de dificuldades que atingem as crianças na Terra Indígena Yanomami, evidenciando inúmeras violações de direitos dos povos indígenas no Brasil, incluindo a falta de um sistema de proteção à infância efetivo para essa parcela da população", diz a Unicef em trecho.
Os dois meninos, de 4 e 5 anos, eram primos e moravam na comunidade Makuxi Yano, no município de Alto Alegre, região Norte de Roraima. No momento do acidente, eles brincavam na beira do rio com um pedaço de carote de plástico, usado como uma espécie de prancha, segundo o Conselho de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kuana (Condisi-YY).
 
As crianças desapareceram no dia 12 de outubro. O primeiro corpo foi localizado pelos indígenas no dia 13 e o segundo no dia seguinte, 14, pelo Corpo de Bombeiros.
 
O Unicef relatou receber com tristeza e preocupação a notícia sobre a morte das crianças.
 
"O Unicef expressa solidariedade às famílias das crianças e à comunidade Yanomami, e reforça o apelo na urgência da identificação dos responsáveis".

Além disso, o órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) lamentou as vidas interrompidas e prestou solidariedade à luta do povo Yanomami.

"O Unicef lamenta cada vida interrompida e reafirma a necessidade de garantir e assegurar a proteção e prevenção de todos os tipos de violências contra as crianças e adolescentes, para dar fim a todas as formas de violência contra o povo Yanomami".

G1

Crianças desapareceram no rio Parima em frente a comunidade Makuxi Yano, na Terra Yanomami — Foto: Arte g1

O caso também foi relatado pela organização Hutukara Associação Yanomami (HAY), que considerou "mais um triste resultado da presença do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami".
 
A Funai informou que acompanha o caso por meio da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye'Kwana, e "está à disposição para colaborar com o trabalho das autoridades".
 
Terra Indígena Yanomami
 
Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami tem quase 10 milhões de hectares entre os estados de Roraima e Amazonas, e parte da Venezuela. Cerca de 27 mil indígenas vivem na região em mais de 360 comunidades.
 
A área é alvo do garimpo ilegal de ouro desde a década de 1980. Mas, nos últimos anos, essa busca pelo minério se intensificou, causando além de conflitos armados, a degradação da floresta e ameaça a saúde dos indígenas.

 
A invasão garimpeira causa a contaminação dos rios e degradação da floresta, o que reflete na saúde dos Yanomami, principalmente crianças, que enfrentam a desnutrição por conta do escasseamento dos alimentos.
 
O número de casos de Covid entre indígenas que habitam a região, aumentou em razão da presença de garimpeiros. No ano passado, em apenas três meses, as infecções avançaram 250%.

 

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