A Economia Exterativa e Desafios de Industrialização em Moçambique | Land Portal | Securing Land Rights Through Open Data
PDF icon Download file (3.03 MB)

Resource information

Date of publication: 
October 2010
Resource Language: 
ISBN / Resource ID: 
ISBN 978-989-96147-4-1
Pages: 
232
License of the resource: 

A experiência económica de Moçambique é frequentemente  apresentada como  um  exemplo  de  sucesso  na  promoção  de  rápido  crescimento  com estabilização e redução da pobreza. O grau e a robustez do sucesso económico moçambicano  são  determinados  pela  magnitude  das  taxas  de  variação,  isto  é, por quanto é que a economia cresce e a pobreza reduz, e por quão estáveis são (ou  por  quão  pouco  variam)  os  indicadores  monetários,  chave  da  abordagem monetarista de estabilização (inflação, reservas internacionais e taxa de câmbio). Este sucesso é geralmente explicado pela prudência das políticas monetárias e privado.

O grau de prudência monetária e fiscal é avaliado pelo enfoque de tais políticas na estabilização monetária de curto prazo, nomeadamente no controlo da massa monetária e do défice fiscal, através da utilização de vários instrumentos: as reservas obrigatórias dos bancos, as reservas externas, a esterilização da ajuda externa, a emissão de títulos e obrigações do tesouro para financiar o défice fiscal e enxugar a liquidez da economia, entre outros. O  grau  de  incentivo  ao  sector privado é determinado pela magnitude da liberalização económica, privatização de activos e redução dos custos de transacção, através da remoção ou redução das  chamadas  barreiras  ao  livre  negócio  como  o  licenciamento,  exigências  de informação sobre os investidores, protecção laboral, entre outras. Mais recentemente, o aparente limitado impacto da crise económica e financeira  global  na  economia  de  Moçambique  está  a  ser  usado  como  evidência  do  sucesso económico moçambicano, da robustez da sua economia e da prudência das suas políticas económicas. Por consequência, o exemplo moçambicano parece validar os modelos neoliberais  de  política  económica  avançados  pelo  Fundo  Monetário  Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial (BM), segundo os quais a estabilização monetarista e a liberalização económica promovem rápido crescimento económico e redução da pobreza com uma base sustentável do ponto de vista macroeconómico. Paradoxalmente, a economia nacional mantém anormalmente elevadas taxas de dependência em relação a fluxos externos de capitais, tanto oficiais (ajuda externa, com incidência em donativos) como privados (investimento directo estrangeiro e Economia Extractiva e Desafios de Industrialização em Moçambiqueempréstimos no sistema bancário internacional). Estes fluxos externos de capitais determinam  a  magnitude  e  os  padrões  de  investimento  público  e  privado,  bem como a relação entre as políticas públicas e os interesses privados.

Authors and Publishers

Author(s), editor(s), contributor(s): 
Brito, L, Castel-Branco, C, Chichava, S & A Francisco
Publisher(s): 

O IESE é uma organização moçambicana independente e sem fins lucrativos, que realiza e promove investigação científica interdisciplinar sobre problemáticas do desenvolvimento social e económico em Moçambique e na África Austral.

Tematicamente, a actividade científica do IESE contribui para a análise da política pública e social e da governação, com enfoque nas problemáticas de pobreza, política e planeamento público, cidadania, participação política, governação e contexto internacional do desenvolvimento em Moçambique.

Share this page